quarta-feira, 21 de março de 2018

Câmara Criminal destaca situação de presos em Alcaçuz e Corregedoria cobra ação do Estado; artigo da Revista Época foi “estopim”Pesquisadora relata os horrores de uma prisão no Rio Grande do Norte

Presos durante rebelião em Alcaçuz no ano passado. A situação da cadeia, comparada à de um campo de concentração, mudou de lá para cá — para pior (Foto: Andressa Anholete / Afp) 
Foto : Revista Época

O que aprendi acompanhando por um ano a vida dos detentos no presídio de Alcaçuz, no Rio grande do norte.

 

A sessão dessa terça-feira (20) da Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do RN começou com a leitura de um artigo publicado na Revista ‘Época’, que relata situações consideradas “graves”, na penitenciária de Alcaçuz, localizada na comarca de Nísia Floresta. O relato foi feito pelo desembargador Gilson Barbosa e se refere aos apontamentos feitos pela professora de Antropologia na UFRN, Juliana Melo, no artigo intitulado “O que aprendi acompanhando por um ano a vida dos detentos no presídio de Alcaçuz, no Rio Grande do Norte”. A pesquisadora criticou a realidade sofrida pelos detentos, que inclui desde presos com doenças mentais, superlotação e atos de tortura.
“São relatos graves e pedi aos meus colegas que fizessem a sua própria leitura dos fatos”, destacou o desembargador Gilson Barbosa, que é vice-presidente do TJRN.

Segundo o artigo da professora Juliana Melo, a situação em Alcaçuz “parece mentira” e chega a comparar a penitenciária a um “campo de concentração”. Segundo ela, “testemunhamos ali o poder do Estado de matar. Se eu estivesse lá dentro, enlouqueceria. Tudo que eu iria querer seria fugir dali, porque é humanamente impossível viver em condição tão horrível. E há presos provisórios, gente com transtornos mentais, pessoas que nem deveriam estar ali”, diz o artigo.

 TRECHO DA REPORTAGEM DA REVISTA ÉPOCA ;

Insultos morais acontecem o tempo todo. Uma mulher nos contou as coisas que seu marido ouviu de um agente: que eles eram “um bando de veadinhos”, que eles podiam reclamar à vontade que nenhuma denúncia iria surtir efeito e que o “bom-dia” deles é com spray de pimenta mesmo. E spray de pimenta é a coisa que mais existe lá. Se for até a frente de Alcaçuz e observar de fora os agentes penitenciários, vai ver que todos eles usam uma espécie de cachecol protegendo as vias aéreas. Por quê?

Além da tortura pela privação do acesso à água, à comida e à higiene, há os espancamentos. Uma mãe que fala: “Juliana, meu filho está apanhando tanto que não sabe mais quanto tempo vai aguentar”. Elas contam que seus filhos têm marcas de hematomas nas costas e nas costelas e os dedos de suas mãos são quebrados.


O representante do Ministério Público na sessão de hoje, o promotor Wendell Bethoven destacou que faria um comunicado oficial à Procuradoria Geral de Justiça (PGJ), a fim de estudar que ações seriam feitas. O advogado Allan Clayton representou a OAB/RN e antecipou que a entidade também tem interesse em ver que medidas podem ser tomadas quanto ao cenário descrito pela antropóloga.

Acompanhamento

O presidente da Câmara Criminal, desembargador Glauber Rêgo, relatou que as ações podem ser continuadas pela própria Corregedoria Geral de Justiça. Trabalho que já vem sendo realizado, de acordo com o juiz corregedor Fábio Ataíde.

“O TJRN já esteve ano passado com a professora, a qual já relatou esses fatos. Mas, tudo isso já é de conhecimento da Corregedoria e existe um Colégio Interinstitucional de Execução Penal que elaborou relatórios e relatos sobre a questão e espera um retorno da Secretaria Estadual de Justiça e Cidadania, o qual, infelizmente, ainda não chegou”, ressalta Ataíde.

O juiz auxiliar da Corregedoria ainda acrescenta que várias reuniões, recentes, já foram realizadas entre a CGJ e o Mecanismo Nacional de Combate à tortura, a fim de adotar medidas que mudem a situação relatada no artigo da revista de circulação nacional.

“Existe uma situação de superlotação e acreditamos que, justamente, por causa da superlotação os outros problemas são gerados, como os maus tratos”, aponta o juiz Fábio Ataíde, ao destacar que a Corregedoria aguarda um plano de gestão de vagas a ser enviado pela Sejuc. “Mas, até hoje, nada nos foi repassado”, lamenta o magistrado.

Fonte : Blog do BG  / Revista  Época

Nota do Blog Patu Visto de Perto ;  A superlotação vem sendo gerada porque o Governo do Estado do RN /  SEJUC , ao invés de reformar os CDPs , vem fechando os mesmos e superlotando os presídios do Estado que já estavam com a sua capacidade máxima  , para se ter uma ideia do desgoverno , em janeiro de 2018 , foi fechado o CDP de Patu , após ter sido feito uma reforma e ampliação , o CDP de Patu praticava a ressocialização de Presos . 

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 Foto arquivo 2017 : Inauguração do CDP de Patu
 
Inauguração do CENTRO DE DETENÇÃO PROVISÓRIA DE PATU - CDP de Patu , em 30 de agosto de 2017 , contou com a presença de várias autoridades e população em geral , pois a população de Patu , apoiava o funcionamento do CDP , onde os detentos plantavam e colhiam Hortaliças , a produção era doada para instituições filantrópicas . O desgoverno fechou essa unidade Prisional no mês de Janeiro de 2018 , quatro meses após sua inauguração .

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 Foto arquivo 2017 : Hortaliças colhidas no CDP de Patu , prontas para serem doadas

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Foto arquivo 2017 : Canteiros de Hortaliças no CDP de Patu

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